O fracionamento de férias é uma prática cada vez mais comum nas empresas brasileiras — especialmente após a Reforma Trabalhista de 2017, que trouxe mais flexibilidade para empregadores e colaboradores.
Mas apesar de parecer simples, muitas organizações ainda têm dúvidas sobre:
- quantas vezes as férias podem ser divididas;
- quais são os limites legais;
- se o colaborador precisa concordar;
- e quais os riscos de fazer isso de forma incorreta.
A verdade é que um erro na concessão de férias pode gerar passivos trabalhistas, multas e até pagamento em dobro.
Por isso, entender a legislação é fundamental para garantir segurança jurídica e boa gestão de pessoas.
Neste guia, você vai entender tudo sobre férias fracionadas, desde a regra legal até a aplicação prática na empresa.
O que é fracionamento de férias?
O fracionamento de férias é a possibilidade de dividir o período anual de férias de um colaborador em mais de uma etapa, desde que sejam respeitadas as regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O direito continua sendo de 30 dias corridos de descanso, mas eles não precisam necessariamente ser gozados de uma só vez.
Essa flexibilidade beneficia tanto:
- empresas, que conseguem organizar melhor suas operações;
- quanto colaboradores, que podem adequar melhor seus períodos de descanso.
O que mudou com a Reforma Trabalhista?
A principal mudança veio com a Lei nº 13.467/2017.
Antes da reforma:
- férias podiam ser divididas em até 2 períodos;
- um deles precisava ter pelo menos 10 dias;
- menores de 18 anos e maiores de 50 não podiam fracionar.
Depois da reforma:
- férias podem ser divididas em até 3 períodos;
- um deles deve ter mínimo de 14 dias corridos;
- os demais devem ter mínimo de 5 dias corridos cada;
- a restrição para menores e maiores de 50 anos foi retirada.
Essa mudança trouxe mais flexibilidade — e também mais responsabilidade para as empresas.
Quais são as regras do fracionamento de férias?
Para aplicar corretamente, é preciso seguir alguns critérios obrigatórios.
1. Limite máximo de divisão
As férias podem ser divididas em até 3 períodos.
Exemplo permitido:
- 14 dias
- 10 dias
- 6 dias
Exemplo não permitido:
- 4 períodos de 7 dias
2. Quantidade mínima de dias
A regra legal exige:
- um período mínimo de 14 dias corridos
- os demais com no mínimo 5 dias corridos
Exemplo inválido:
10 + 10 + 10
Mesmo somando 30 dias, isso não atende à legislação.
3. O colaborador precisa concordar
Sim. A empresa não pode impor unilateralmente o fracionamento.
É necessário acordo entre as partes. Por isso, o ideal é formalizar essa concordância por escrito.
4. Pagamento das férias
O pagamento deve ocorrer até 2 dias antes do início de cada período.
Incluindo:
- remuneração das férias;
- Terço constitucional de férias.
Quem pode tirar férias fracionadas?
Hoje, praticamente todos os trabalhadores regidos pela CLT podem ter férias fracionadas.
Incluindo:
- trabalhadores maiores de idade;
- menores de 18 anos;
- colaboradores acima de 50 anos.
Atenção:
algumas convenções coletivas podem estabelecer regras específicas.
Sempre consulte seu sindicato ou assessoria trabalhista.
Como aplicar férias fracionadas corretamente na empresa
Implementar essa prática exige processo.
Planejamento anual
Monte um calendário de férias considerando:
- sazonalidade;
- períodos críticos;
- substituições.
Comunicação antecipada
Evite decisões de última hora.
Quanto maior a previsibilidade, menor o risco de conflitos.
Formalização
Documente:
- pedido ou aceite do colaborador;
- datas;
- recibos;
- pagamento.
Sem isso, o risco jurídico aumenta.
Atualização do sistema
Seu sistema de Departamento Pessoal precisa refletir corretamente cada período concedido.
Isso evita erros em folha e passivos futuros.
Principais erros no fracionamento de férias
Muitas empresas erram em detalhes.
Veja os mais comuns:
Dividir em períodos irregulares
Exemplo: 10 + 10 + 10.
Não permitido.
Não registrar a concordância
Acordo verbal não protege a empresa.
Esquecer o prazo de pagamento
Pode gerar Pagamento em dobro de férias.
Ignorar convenções coletivas
Nem toda regra está apenas na CLT.

Por que sua empresa deve revisar esse processo?
Férias parecem um processo simples, mas são um dos temas que mais geram passivos trabalhistas.
Uma revisão preventiva ajuda a:
- reduzir riscos;
- garantir compliance;
- evitar multas;
- melhorar a gestão do RH.
Mais do que cumprir a lei, trata-se de proteger a empresa.
O fracionamento de férias é uma ferramenta importante para conciliar gestão operacional e conformidade trabalhista.
Quando aplicado corretamente, ele oferece:
- mais flexibilidade;
- melhor organização interna;
- segurança jurídica;
- melhor experiência para o colaborador.
Mas, para isso, é essencial conhecer as regras e manter um processo estruturado.
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